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24 de agosto de 2010

Ensinamentos sobre Meditação Shamata, com Ani Zamba Chozom

A Venerável Bhikkuni Ani Zamba Chözom nasceu em Londres em 1948, tendo vivido a maior parte de seu tempo na Ásia. É detentora de várias linhagens monásticas não apenas do Budismo Tibetano, mas também de tradições chinesas e coreanas, sendo uma das primeiras ocidentais a receber ordenação monástica nas linhagens citadas. Detém o título de Gelongma, ordenação máxima para uma monja budista.Não-sectária, Ani Zamba foi aluna de alguns dos mais renomados mestres budistas de diferentes tradições, incluindo S.S. o Dalai Lama e seus tutores, Kyabje Dudjom Rinpoche e Kyabje Dilgo Khyentse Rinpoche, entre outros.Sua abordagem do Budismo é bastante direta, auxiliando as pessoas a transcenderem suas crenças pessoais e se conectarem com a realidade dos fenômenos. Seus ensinamentos focam-se na percepção mental como sendo a causa da felicidade e do sofrimento; também como sendo um meio para a realização espiritual.Atualmente, Ani-la dá continuidade ao Projeto Visão de Dipamkara. O projeto dista 8 Km da cidade de Mucugê, na Chapada Diamantina, estado da Bahia.
O site do Projeto Visão de Dipamkara: http://www.dipamkaras-vision.org/

Podcasts: http://anizamba.podbean.com/



ENSINAMENTO DE SHAMATA
Venerável Monja Zamba Chozom.
 
....... A mente está extremamente agitada porque se encontra condicionada a sempre pegar as informações que passam pelas seis portas dos sentidos (os cinco sentidos normalmente reconhecidos, mais o pensamento). Esta é a forma pela qual a energia está programa para que a consciência capture as informações. Agora, quando tentamos acalmar a mente, percebemos que não é algo tão fácil, que precisamos ser pacientes e perseverar. Devemos nos aproximar bem vagarosa e calmamente, da mesma forma que treinamos um cavalo selvagem. Então, aos poucos, domamos o cavalo e damos a ele uma utilidade.
....... Temos que entender que não temos apenas o nosso corpo físico que podemos ver, mas temos também um corpo de energia sutil que não podemos ver. Esse corpo (de energia) é composto por 72.000 canais de energia que servem de suporte para a nossa respiração, nossa digestão, nossa circulação sangüínea, nosso crescimento, nosso movimento e nosso processo de pensamento. E, para que essa energia flua livremente e com sua máxima eficiência, nós adotamos uma postura específica, ao sentarmos, que nos oferece o apoio que o nosso complexo corpo/mente precisa para ser capaz de relaxar e focar a mente. Precisamos de disciplina e relaxamento, como a base de nossa prática, como ferramentas para um penetrante vislumbre nas funções mais profundas de nossa mente.
A posição física que adotamos tem 7 pontos:
1. A coluna precisa estar ereta, como se houvesse uma coluna de moedas empilhadas uma sobre a outra.
2. As pernas podem estar tanto posicionadas na postura do lótus, que é difícil para principiantes, quanto no meio lótus, com a direita sobre a esquerda.
3. As mãos podem ser tanto mantidas no mudra formal da meditação (forma onde você descansa a mão direita sobre a esquerda e faz um triângulo em volta do seu umbigo com os seus polegares) quanto pousadas sobre os joelhos.
4. Os ombros devem estar relaxados mas levemente para trás, para abrir o chakra do coração e deixar os ventos fluírem livremente.
5. O queixo deve ficar levemente retraído, posição que ajuda a manter a coluna reta, da base ao topo.
6. A boca fica ligeiramente entreaberta, com os maxilares relaxados e a língua podendo tocar gentilmente o palato ou descansar sem tocar o céu da boca (depende da prática).
7. Os olhos devem ser mantidos numa posição, da qual eles como que observem a ponta do nariz. Então colocamos um objeto à nossa frente e focamos nosso olhar a meio caminho entre nós e o objeto, como se estivéssemos focando o espaço, mas mantendo uma posição estável que não permite que os olhos se movam.
....... Eu aconselho que encontrem uma almofada, que nãos seja nem alta nem baixa. Uma almofada confortável é como um Mercedes Benz. Ela proporciona uma viagem agradável e confortável e remove a fadiga de permanecer sentado, caso a pessoa não tenha nenhuma experiência prévia de meditar, utilizando uma postura formal.
....... Então, utilizamos a nossa respiração como suporte para nossa prática de nos mantermos relaxados. Começamos por nos focarmos gentilmente no nosso processo de respiração enquanto o ar entra e sai do corpo. Primeiro, colocamos nossa atenção na entrada de nossas narinas, como se tivéssemos colocado lá um porteiro para observar os convidados que entram e saem. O porteiro não abandona seu posto, ele nem entra, nem sai com os convidados, apenas fica sentando, enquanto observa os convidados entrarem e saírem. Assim, nos mantemos cônscios e atentos ao nosso processo de respiração, a cada instante, sem sermos distraídos pelos objetos que surgem aos nossos sentidos.
....... Mantendo o foco na respiração, caso venhamos a nos distrair, gentilmente trazemos nossa atenção de volta para a respiração, quantas vezes forem necessárias.
....... No começo da prática, devemos nos esforçar, uma vez que a energia é muito agitada. Então, para nos ajudar a manter o foco, podemos contar a respiração. Fazemos isso contando cada ciclo de inspiração e expiração como uma unidade. Então, devagar, contamos até 21 respirações. Caso percamos a nossa atenção e venhamos a nos perder na contagem, recomeçamos novamente até que possamos nos manter focados, sem nenhuma distração, durante as 21 respirações.
....... Outra forma de fazermos isso é dizermos mentalmente: inspirando e expirando, até que percebamos que podemos manter nossa atenção em um ponto, sem muita distração.
....... Para principiantes, é importante praticar bastante, através de curtas sessões - 30 segundos aqui, 30 segundos ali - , ao longo do dia, até que nossa atenção possa relaxar cada vez mais na respiração e a mente torne-se cada vez mais calma.
....... Não devemos fomentar nenhuma expectativa em relação à prática pois, com isso, corremos o risco de criarmos esperanças e medos, o que não permite à mente relaxar e estar presente no momento.
....... Agora, a nossa mente assemelha-se a um macaco selvagem. Não podemos utilizá-la no seu máximo potencial pois ela está sempre pulando de um objeto para outro. Então precisamos domar esse macaco selvagem através da atenção sobre a respiração, várias e várias vezes. Então, pouco a pouco, perceberemos que ela está sob nosso controle e poderá ser utilizada de forma extremamente benéfica e eficiente para beneficiar a nós mesmos e aos outros. Vocês podem começar desta forma e mais tarde eu irei expandir a prática.
....... É bom alternar entre a disciplina de focar a mente, utilizando um objeto, e deixá-la completamente relaxada, sem nenhum objeto. Aqui, faço uma analogia sobre o ato de nos sentarmos, às margens de um rio, para vermos a água passar. Imagine que existem muitas folhas na superfície do córrego e, assim que elas se aproximam, nós a observamos de forma bastante desapegada. Não tentamos pegar nenhuma delas, julgá-las, compará-las: - esta é melhor que aquela. Buscamos apenas observar, de uma forma bastante aberta, o fluxo constante dos eventos mentais, assim como eles surgem e passam, a cada momento, não nos envolvendo com ou criando nenhuma das condições que estão em constante mudança. Simplesmente deixamo-las ser como são, em constante mudança, enquanto surgem e desaparecem.
.......Então, alternamos entre nos forcarmos na respiração por curtos períodos (talvez 21 respirações sem distração) e então descansamos a mente em sua abertura por alguns instantes, para em então começarmos mais uma vez.
....... Assim, aos poucos, o ambiente de nossa prática irá desenvolver-se para um ambiene que é tanto relaxado quanto atento.
 
Fonte : http://www.alemtemporeal.com.br/?pag=eventos&cod=1344